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Recursos humanos

Contratar o primeiro colaborador em Cabo Verde: o que é preciso preparar antes de assinar o contrato

A primeira contratação é o momento em que uma atividade se torna uma empresa. Tipo de contrato, custo real, declarações ao INPS: o que um gerente deve ter esclarecido antes da assinatura.

Uma consultora entrega os documentos de boas-vindas a um novo colaborador num escritório bem iluminado na Praia

Chega um momento em que a agenda já não chega. As encomendas acumulam-se, os dias tornam-se mais longos e o gerente, que antes fazia tudo sozinho, começa a recusar trabalho. É geralmente nessa altura que se pensa na primeira contratação. Boa notícia: é sinal de que o negócio está a dar certo. Notícia menos boa: uma contratação mal preparada sai cara, tanto em dinheiro como em energia.
Eis o que é preciso ter esclarecido antes de assinar.

Definir o cargo real, não o cargo ideal

A tentação clássica: procurar alguém que saiba fazer tudo, desde o caixa à contabilidade, passando pelas entregas. Esse perfil não existe, e o anúncio que o descreve afasta os bons candidatos.
O exercício útil é mais simples. Faça uma lista das tarefas que realiza todas as semanas e, em seguida, sublinhe aquelas que lhe tomam tempo sem exigirem a sua presença. É isso mesmo que constitui o cargo. Uma gerente de loja na Praia que passa dez horas por semana a receber entregas e a organizar o stock não precisa de um «assistente polivalente»: precisa de um armazenista a tempo parcial. A precisão da necessidade determina a qualidade do recrutamento.

Conhecer o custo total, e não apenas o salário

O salário indicado é apenas uma parte do custo. É preciso acrescentar as contribuições sociais pagas ao INPS, o equipamento necessário para o cargo e um aspeto que quase toda a gente esquece: o seu próprio tempo. Formar alguém, organizar o seu trabalho, corrigir os seus erros iniciais — tudo isto ocupa várias horas por semana durante os primeiros meses.
O cálculo honesto consiste em projetar esse custo total para seis meses e compará-lo com o volume de negócios adicional que o cargo permite, ou com as horas que lhe liberta para desenvolver a atividade. Se a equação não bater certo no papel, também não vai bater certo na prática.

Escolher o quadro contratual adequado

O direito do trabalho cabo-verdiano distingue o contrato a termo certo do contrato por tempo indeterminado, com regras específicas para cada um no que diz respeito à duração, à renovação e ao período de experiência. A escolha não é insignificante: um contrato a termo certo responde a uma necessidade pontual ou sazonal, enquanto um contrato por tempo indeterminado implica um compromisso a longo prazo, mas também oferece mais estabilidade para fidelizar um bom colaborador.
Um ponto é indiscutível: o contrato deve ser redigido por escrito. O acordo verbal, ainda frequente em pequenas empresas, expõe tanto o empregador como o trabalhador em caso de desacordo. Um contrato escrito que especifique as funções, a remuneração, o horário e o período de experiência protege ambas as partes.

Não adiar as formalidades

A contratação não declarada não é uma opção. O registo do trabalhador no INPS é condição essencial para a sua cobertura social, e a ausência de declaração expõe a empresa a regularizações que custam muito mais do que as próprias contribuições. Os trâmites, prazos e taxas em vigor estão em constante evolução: é precisamente neste tipo de assunto que o apoio de um especialista evita surpresas desagradáveis.

Como ter sucesso nas primeiras semanas

O processo de recrutamento não termina com a assinatura do contrato. A maioria das primeiras contratações que fracassam não se deve à falta de competências, mas sim à falta de clareza: o colaborador não sabe exatamente o que se espera dele, o gestor não tem tempo para o orientar e ambos acabam por se desgastar.
Três hábitos mudam o desfecho. Um primeiro dia bem preparado, em que o cargo, as ferramentas e as regras da empresa são apresentados de forma clara. Uma reunião semanal de quinze minutos durante o período de experiência. E um feedback direto, nos dois sentidos: o que está a correr bem, o que não está a correr bem e o que é preciso ajustar.

Procurar apoio

Na AGEF, acompanhamos os gestores e as PME da Praia e de outras localidades ao longo de todo o processo: definição do cargo, elaboração do contrato, declarações sociais, organização da folha de pagamentos. A primeira contratação é uma etapa que só se faz uma vez. Mais vale fazê-la bem feita.
Para falar sobre o assunto com a nossa equipa: agef-cv.com/contact